Amanda Gurgel faz um retrato da educação no Rio Grande do Norte que, na essência, é um retrato da educação no Brasil. E, obviamente, esse
retrato feito por nós, professores e professoras, _ penso que nos sentimos constituintes de suas palavras _ receberia contestações e ataques, ainda que sutis e velados, da classe dominante e de suas instituições. Estamos lutando há muito, muito tempo e tais ações também estão incluídas no cenário da educação nacional.
YouTube, redes sociais, listas de discussão, blogs e microblogs estão sendo ferramentas para a divulgação tanto do filme como das análises e opiniões sobre o fato. Referir-se ao fato como desabafo da professora, atitude heróica, celebridade da hora, notoriedade abrindo caminho para candidatura política... é, no mínimo,
desqualificar as questões das quais a professora foi porta-voz, é desqualificar a nós mesmos, professoras e professores, que vivemos o que ela denuncia!
Essa desqualificação do discurso pelas instituições da classe dominante e seus representantes já era esperada, mas é de causar muita tristeza e indignação quando ela parte de membros da nossa própria categoria (ainda que saibamos que a infiltração ideológica é um instrumento poderosos e velado). A própria Amanda Gurgel
retoma o curso da discussão quando em entrevistas tentam "mudar o rumo da prosa" para as qualificações individuais do fato. Não, a
discussão é sobre políticas públicas para a educação no Brasil!