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segunda-feira, 9 de maio de 2011

A maior flor do mundo


Bela, carregada de simbolismos e mensagens para adultos e crianças, a história de Saramago ganhou trilha sonora de Emilio Aragón e Juan Pablo Etcheverry criou a animação em plasticina tradicional 2D.

Pelo blog do filme podemos conhecer alguns relatos de trabalhos realizados em escolas e outras tantas coisas... O blog também é muito inspirador! Ele está aqui.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Letra cursiva e a leitura-escrita na educação infantil

Mesmo com tanta divulgação dos conhecimentos elaborados por Bakhtin e Vygotsky sobre linguagem e escrita e outras tantas construções teóricas sobre leitura há muita insistência, por parte dos professores, em usar a letra cursiva na educação infantil.

Apoiando-me em Vygotsky, na essência do processo de ler-escrever está a relação pensamento-linguagem. Então, a escrita na sua forma, no seu desenho, é produto de um processo de experimentação, vivência, conhecimento da criança sobre as coisas que estão no mundo. Então, escrever é escrever o que se pensa, sente, deseja, inventa, comunica, cria... com os diferentes gêneros do discurso e tipos de texto.

Será que devemos simplificar estas complexas relações no ensino do desenho das letras de "mãos dadas"?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Álbum da Turma

Continuação da Agenda de Trabalho...

Num álbum de fotografia guardamos instatâneos de momentos que nos marcaram, de modo que, ao contemplá-los tempos depois, de certa forma, a eles voltamos. Eis a analogia com o Álbum da Turma. Nele é possível registrar em textos, desenhos, fotos etc. o que a professora e/ou as crianças decidem ser expressivo e representativo do ano escolar que estão vivendo. Vale salientar a concepção de trabalho com a linguagem oral e escrita que sustenta tal prática pedagógica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Letra cursiva

Eu gostaria de entender a necessidade que vários professores da educação infantil tem de ensinar às crianças de cinco anos a escrever com a letra cursiva! Às vezes até às de quatro anos!!!
Como eu gostaria de conhecer as razões desses educadores e dialogar sobre isso!!!!!

sábado, 25 de julho de 2009

Práticas de letramento no 17o. Congresso de Leitura do Brasil

Fomos ao Cole, eu, Adriana e Expedita e apresentamos um trabalho sobre as práticas de letramento que realizamos na escola com as crianças de três, quatro e cinco anos. Não fiquei com uma impressão muito boa do Cole desta vez, não! Já fui a outras edições desse Congresso de Leitura em que havia uma efervescência intelectual bem mais agitada!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Cole


Um dos trabalhos que realizamos com as crianças é sustentado pela articulação entre psicomotricidade (etapas do recorte), estudos da linguagem (interação discursiva) e pedagogia da pergunta (pergunta-ação-reflexão-resposta). Este tripé teórico concede às atividades uma riqueza especial, geradora de aprendizagem-desenvolvimento infantil.

Apresentaremos esse trabalho no 16o. Congresso de Leitura, em Campinas.

domingo, 6 de agosto de 2006

Etapa 12 do recorte e linguagem


Etapa 12: Formas geométricas..............................................5 dias

Esta é uma etapa com procedimentos bastante complexos e interessantes. Ela é muito rica, com muitas possibilidades de ações cognitivas pelas crianças. As crianças gostam muito!

Nesta etapa, partindo de tiras de papel, serão construídos retângulos, quadrados, triângulos, trapézio e hexágono, que poderão ser usados individualmente, à medida que forem sendo construídos, ou guardados e usados no fim na composição de uma cena coletiva que pode ser planejada pelos alunos.



Veja a descrição dos procedimentos no Complementos do EntreTextos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Etapa 11 do recorte e linguagem


Etapa 11: Franjas em tiras de papel ......................................2 dias



Veja a descrição dos procedimentos no Complementos do EntreTextos.

Etapa 10 do recorte e linguagem


Etapa 10: Franja ao redor da folha..........................................1 dia

Aqui os alunos deverão cortar franjas em linha e sem desenho, ao redor da folha de papel usando a tesoura. Para isso, a professora deverá novamente falar do uso correto da tesoura, lembrando que para a pressão ideal, as crianças deverão usar os dedos polegar e médio para abrir e fechá-la.

Veja a descrição dos procedimentos no Complementos do EntreTextos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Etapa 9 do recorte e linguagem


Agora começam as etapas da fase 2, as etapas do recorte com a tesoura

Etapa 9: Cortar sem material......................................................1 dia

Veja a descrição dos procedimentos no Complementos do EntreTextos.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

EntreTextos: jornal da nossa escola


Olha aí mais um número do jornal da nossa escola! Todas as famílias dos nossos alunos recebem um exemplar.

Clique na imagem para ampliá-la.

..................

terça-feira, 11 de julho de 2006

Letra cursiva na pré-escola?


Hoje eu vi algo que me surpreendeu muito, mas muito mesmo! Alguém pedia letras cursivas perfeitas para trabalhar na pré-escola. A pessoa pedia esses arquivos de fonte que estão no computador. E mais de trinta pessoas responderam sugerindo fontes, pedindo que enviassem pra elas também...

O que fazemos com Bakthin, Vygotsky, entre outros, heim?!
Será que uma olhadinha no dicionário não seria um começo pra fazer pensar?!

De acordo com o dicionário, “cursivo é forma de letra manuscrita, miúda e ligeira; adj. que a pena faz correndo‚ pelo papel, letra cursiva; escrita cursiva; ligeiro, executado sem esforço.”

Como, então, exigir que uma criança escreva cursivamente na pré-escola???!!!

Afinal, domamos o aluno ou o aluno domina a escrita?

sexta-feira, 7 de julho de 2006

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Palavramundo, como diz Paulo Freire


Maria Inês Barreto Netto

.........................................Pois nisto de criação literária cumpre não esquecer
........................................– guardada a infinita distância –
........................................que o mundo também foi criado por palavras.”
......................................................................................................................Mário Quintana

A escrita é uma ação cultural complexa, elaborada e desenvolvida pela humanidade no decorrer de séculos, em permanente constituição.

Em A pré-história da linguagem escrita, Vygotsky (1991) faz-nos refletir sobre a natureza simbólica da linguagem, mostrando os pontos importantes do seu desenvolvimento nas crianças que começa com o aparecimento do gesto como signo visual – “os gestos são a escrita no ar” – quando, por exemplo, elas fazem as garatujas e demonstram por gestos o que desenham, complementando-se em relação ao que querem representar.

Um ponto importante é a utilização de objetos substituindo e representando outros nas brincadeiras, pelas suas dramatizações gestuais – atividade representativa simbólica, brinquedo simbólico, brincadeira do faz-de-conta.

Outro é quando o desenho deixa de ser o objeto mesmo, ou parecido, ou, ainda, do mesmo tipo do objeto real para surgir o desenho que tem por base a linguagem verbal e contém os aspectos essenciais do que querem simbolizar, contam uma história. Mais tarde, a criança descobre que se pode desenhar a fala, não somente coisas e objetos.

Em resumo, para Vygotsky e seus colaboradores, “o brinquedo de faz-de-conta, o desenho e a escrita devem ser vistos como momentos diferentes de um processo essencialmente unificado de desenvolvimento da linguagem escrita” (1991, p. 131) e “seria natural transferir o ensino da escrita para a pré-escola” (p. 132), pois as crianças cedo descobrem a função simbólica da escrita. Na sua época, tal ensino, em países europeus e americanos começava, geralmente, aos seis anos de idade, e no seu, um pouco mais tarde. Mas esse ensino, para ele,

tem de ser organizado de forma que a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. (...) A leitura e a escrita devem ser algo de que a criança necessite. Temos, aqui, o mais vívido exemplo de contradição básica que aparece no ensino da escrita (...); ou seja, a escrita é ensinada como uma habilidade motora e não como uma atividade cultural complexa. Portanto, ensinar a escrita nos anos pré-escolares impõe, necessariamente, uma segunda demanda: a escrita deve ser ‘relevante à vida’- da mesma forma que requeremos uma aritmética ‘relevante’.” (Vygotsky, 1991, p. 133; negritos meus)
Adam Schaff, estudando os trabalhos de Vygostsky, sintetiza a dimensão do trabalho educativo que se inicia na pré-escola:

o pensamento e a utilização da linguagem devem ser captados como dois aspectos de um único processo: o processo homogêneo do conhecimento do mundo pelo homem, da reflexão sobre o conhecimento (implicadamente, o conhecimento de si) e da comunicação dos seus resultados a outros indivíduos.” (Schaff, 1964, p. 209; grifos do autor)
Agora, podemos delinear possíveis situações de ensino-aprendizagem-desenvolvimento infantis.

Com o seu nome e os dos seus colegas, a criança participa de jogos de análise e identificação da ficha do nome; em pequenos grupos, joga o bingo dos nomes e das letras dos nomes; copia da ficha, faz listas de nomes dos alunos (coletivas) a partir de critérios estabelecidos pela turma e/ou pelo seu grupo...

Os rótulos e as embalagens de produtos usados na casa das crianças são meios para discussões a respeito dos usos e das funções dos seus conteúdos; para o estabelecimento de relações de semelhanças, diferenças, ordenações, classificações (coleções), quantificações etc.; para a dramatização do uso e das funções dos seus conteúdos; para a escrita da lista de compras, da lista dos que foram usados na dramatização, da lista das coleções, a escrita de títulos dados às coleções e dramatizações...

Muitos dos bilhetes que são enviados para os pais podem ser copiados do quadro na caderneta, principalmente pelas crianças do 3o. período. Por exemplo: a professora vai ao médico amanhã, trazer uma embalagem de um produto, levar para a escola uma muda de planta etc.

O desenho mimeografado da criança gera pequenos textos individuais e coletivos. A professora é a escrivã do texto ditado pela criança. O texto coletivo deve ser produzido pela metade da turma (dividindo o horário com a oficina). A outra metade faz outro trabalho com esse texto e vice-versa. Tais textos podem desdobrar-se em diversas atividades a serem realizadas durante a semana ou por algumas semanas. Pesquisas e/ou entrevistas podem ser feitas a partir do tema do texto, por exemplo, que se encadeiam com outros trabalhos. O texto pode ser dramatizado e os personagens elaborados na oficina. Um painel pode ser a ilustração coletiva do texto, confeccionado a partir das sobras de papel e de outros materiais, com planejamento e definição de tarefas para pequenos grupos. A produção de textos individuais pode ocorrer no segundo semestre.

O planejamento de certas atividades permite o registro dos nomes das crianças dos grupos com as respectivas tarefas, promovendo, inclusive o seu acompanhamento e a sua avaliação.

Referências bibliográficas
SCHAFF, A. Linguagem e conhecimento. Coimbra: Livraria Almedina, 1964. 297 p.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 168 p.

sábado, 19 de novembro de 2005

O desenho fala?

Maria Inês Barreto Netto

                                                     “O desenho fala,
                                                     chega mesmo a ser uma espécie de escritura,
                                                     uma caligrafia.”
                                                                                                             Mário de Andrade

O desenho é a primeira escrita da criança. “O desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar, marca o desenvolvimento da infância, porém, em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio” (Moreira, s/d, p. 26).

A primeira etapa é um exercício de movimentos no material no qual a criança “rabisca” sem intenção alguma de representar qualquer coisa; é o controle, o domínio das mãos e do objeto usado para desenhar – são as garatujas. Movimentos longitudinais que “vão se arredondando, tornando-se circulares, se enovelando, se espiralando. Em seguida, esta espiral-novelo começa a se destacar e surgem os círculos soltos, ‘as bolinhas’” (ibid., p. 30).

Com as “bolinhas”, as garatujas começam a representar algo, começam a ganhar nomes – embora variem de acordo com o momento e com quem pergunta – e a se diferenciar no papel, mas ainda indiferentes à cor.

Aparecem, a seguir, as formas fechadas, com interior, desorganizadamente distribuídas no papel, porém com cores e formas diferentes. O desenho, agora, começa a ser um jogo, uma linguagem de representação e expressão.

A criança começa a contar histórias por meio do desenho. Não um enredo completo de uma história e, sim, aspectos significativos do que ela quer simbolizar. Não são formas realísticas. A criança não faz um “retrato” do que vê. A distribuição espacial na superfície de desenho do que ela quer simbolizar, portanto, não é regida, necessariamente, pela estruturação espacial da realidade. O desenho passa a ser uma maneira de falar. O desenho pode ser lido.

Nas interações sociais, a criança começa a elaborar as possibilidades de desenhar a fala também e percebe que para isso ela precisa usar formas diferentes. Vendo que se lê onde não existe o desenho característico, ela passa a prestar atenção nessas formas desenhadas. O desenho nessas formas diferentes – a escrita – simboliza uma outra linguagem.

O ato de desenhar, portanto, é fruto de uma criação pessoal, muito particular, na qual não cabem modelos ou comparações, nem ensino de formas e traços. “Nas crianças, o criar – que está em todo seu viver e agir – é uma tomada de contato com o mundo, em que a criança muda principalmente a si mesma” (ibid., p. 38). Então, a professora é a mediadora entre a criança e o mundo no espaço escolar para essa criação pelo desenho. A escola é o local onde a criança se apropria das “coisas do mundo” representando e expressando, promovendo o processo de aprendizagem-desenvolvimento da criança.

Referência bibliográfica

MOREIRA, A. A. A. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola, s/d. 128 p. (Coleção espaço, v. 4)

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Linguagens


Pintar, desenhar, modelar, montar, construir coisas, dramatizar, cantar, dobrar papel, quantificar, ler, escrever, falar, imitar, copiar... são modos que usamos para representar e expressar o mundo do imaginário, o mundo dos sentimentos e das emoções, o mundo do conhecimento (em todas as suas variações), o mundo aparente, o mundo real... interagindo... inter-agindo.

A criança vive esse processo em etapas, fases ou estágios dialéticos. Conhecer, então, o modo como a criança pensa é fundamental para quem com ela vai trabalhar. Sem perder de vista a complexa teia tecida nessas e por essas linguagens, refletirei um pouco sobre desenho, escrita, quantificação, jogo e brincadeira como linguagens na educação infantil.